Now Reading
Exposição histórica da Arte Urbana mundial é recriada virtualmente

Exposição histórica da Arte Urbana mundial é recriada virtualmente

No 17 de Abril de 2011, o Museu de Arte Contemporânea de Los Angeles tinha uma fila um tanto atípica. Não só pelo volume, com centenas de pessoas dobrando o quarteirão, mas porque estava ali toda uma diversidade de gerações, origens e fisionomias. Art in the Streets, que agora pode ser revisitada online, além de ser a exposição com maior público na história do museu, foi também um marco importante na história do graffiti.

Com curadoria do então diretor do museu, Jeffrey Deitch, estavam reunidos ali pelo menos 100 dos principais artistas e grafiteiros até aquele momento, desde TAKI 183 e seus contemporâneos amigos greco-americanos do bairro Washington Heights, na Nova York dos anos 1970, até personalidades mais contemporâneas como Retna, Swoon, Miss Van e Os Gêmeos. O texto da exposição destaca que esta “foi a primeira pesquisa extensa da história do graffiti e da arte de rua a ser apresentada em um museu norte-americano”.

RISK, REVOK, Mister Cartoon e artistas de Los Angeles
Sala dedicada ao emblemático filme Wild Style, marco das primeiras gerações do graffiti.

Àquela altura, o graffiti e a arte urbana já não eram fenômenos, mas correntes artísticas estabelecidas e altamente lucrativas em galerias e salas de leilão. Três anos antes, o Tate Modern de Londres já tinha dado este passo institucional, apresentando a também histórica mostra Street Art. Nomes como Bansky, Shepard Fairey e INVADER já tinham conquistado fama, seguidores e compradores milionários.

Contudo, Art in the Streets impulsionou ainda mais o movimento, grande parte em consequência de duas exigências do Banksy. O artista inglês aceitou criar uma obra para a exposição desde que o museu oferecesse ao menos um dia de entrada gratuita – e que o público pudesse fotografar livremente. As medidas fizeram história não só por ampliar o público presente, mas também por escalar seu alcance mundial.

Com as condições aceitas, Banksy montou uma grande instalação durante seguidas madrugadas, com as “câmeras de segurança desligadas e depois que todos os outros artistas haviam partido”.

Instalação criada por Banksy durante as madrugadas, com câmeras desligadas.

Representando o Brasil, Os Gêmeos criaram as séries Sonhei que tinha sonhado (esquerda) e People Say What They Want (As pessoas dizem o que elas querem).

Pinturas, esculturas e instalações da dupla brasileira Os Gêmeos

Martha Cooper, conhecida por ter registrado os primeiros anos do graffiti, nos anos 1970, foi uma das fotógrafas a expor, junto do francês JR e do aclamado fotógrafo local Esteven Oriol.

Mulheres são Heróinas, um dos projetos apresentados pelo fotógrafo francês JR, foi realizado no Rio de Janeiro.

Também local, Mister Cartoon, parceiro de Estevan Oriol no gigante Soul Assassin Studios, levou para a exposição o caminhão de sorvetes que esteve pintando desde 1995.

1963 International Ice Cream Truck, obra do artista Mister Cartoon pintada entre 1995-2011.

Art in the streets contou ainda com espaços dedicados a história do skate, tatuagem, oficinas e diversas ativações que dimensionaram a complexa trama do graffiti e da arte urbana. No artinthestreets.org é possível conhecer mais dessa história navegando tanto pelos ambientes do museu, como também por artistas, títulos ou nacionalidades.

Rua Antônio de Albuquerque 384
Savassi • Belo Horizonte • Brasil
Scroll To Top
preloader