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Clubs de Berlim começam a reabrir, mas pistas de dança estão fechadas.

Clubs de Berlim começam a reabrir, mas pistas de dança estão fechadas.

Em processo gradual de reabertura de bares e restaurantes desde o dia 15 de Maio, Berlim começa a assistir também a volta de alguns poucos clubs emblemáticos da cidade. Entre as novas regras, que incluem o uso obrigatório de máscaras para funcionários e clientes, há ainda o fechamento das pistas de dança.

Berliner Zeitung, jornal local que noticia a abertura dos clubs, começa a reportagem lembrando que este foi um dos primeiros setores a parar – e provavelmente o último a voltar à normalidade. “Existem níveis de esperança na crise do Corona. Todo ramo pode se abrir gradualmente. Mas há um que está no nível ‘sem esperança’: a cena club”.

A explicação do próprio jornal fica em algum lugar entre a tragédia e o saudosismo, “Porque toda noite de club é um grande evento, no qual centenas dançam, suam, fazem sexo em salas escuras e gostam de ficar intoxicadas por três dias seguidos”.

Enquanto a reabertura total dos estabelecimentos noturnos locais é estimada para o final do ano, ou provavelmente início de 2021, os proprietários e funcionários começam a se adaptar para encarar os próximos meses, já que logo será verão.

Um dos clubs ao ar livre mais populares do lago Rummelsburger, o Sisyphos, não vai cobrar mais os 10 euros para entrada. Contudo, pretende abrir apenas às sextas, sábados e domingos, de 15h as 22h. Proibiram dançar no local e os visitantes devem ser atendidos na mesa.

Sisyphos, em Berlin, entrada agora gratuita, mas proibido dançar. (Foto mabi2000)

A Birgit & Bier (foto de capa), situado no agitado bairro Kreuzberg, é uma mistura de boate e cervejaria. A ideia agora é funcionar apenas na área externa, até no máximo 22h. E as regras também são claras: proibido dançar e obrigatório o uso de máscaras para público e funcionários. No Facebook eles pedem: “Favor entrar na área interna apenas se precisar usar o banheiro”.

Apesar de alguns bares e boates já estarem partindo para a reinvenção de seus espaços, dando preferência para ambientes externos, quando possível, há outros que hesitam. Um exemplo é o prestigiado About Blank que, apesar de querer abrir o mais rápido possível, só vai fazer isso de “maneira responsável”.

Clubs como o YAAM (Young African Art Market), famoso entre os apreciadores de música africana, jamaicana e Drum n’ Bass, receia retomar as operações, sobretudo em modelos ressignificados. Fechados desde o dia 13 de Março, a retomada significaria a necessidade de pagar os aluguéis adiados e de recontratar funcionários, sem garantia do mesmo retorno de antes.

Campanha criada pelo YAAM para suporte do club e dos artistas.

Uma das sugestões do proprietário, Geoffrey Vasseur, é que o governo passe a manter subsídios para boates e casas de show, como historicamente acontece com a música clássica.

Apesar de algumas discordâncias, há um ponto em que todos os proprietários parecem concordar, indica o jornal. Não são só os ambientes que precisam mudar. Se o público não fizer o mesmo, pouco vai adiantar.

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