Murais Para o Oceano

Sea Walls (Foto Raul Sampaio)

Seriam cinco horas de viagem de carona com um neozelandês obviamente desconhecido que avisou que pararia apenas para procurar lugares secretos de pesca. Caronas são a forma mais barata de se viajar pela Nova Zelândia, sendo também algo relativamente seguro. De qualquer maneira, ter aquela pessoa nunca vista antes dirigindo ao seu lado, um dia depois de ter chegado ao país, era um pouco bizarro.

O destino era Napier, refúgio de jovens hippies que não querem saber de muita coisa além de sol, praia e trabalhar em albergues.  Cidade praiana em que nada acontece, com um céu cremoso, e reconstruída inteiramente ao estilo art decó após um terremoto altamente destrutivo na década de 30. Mais precisamente, o objetivo era registrar o festival de artes Sea Walls: Murals for Oceans, que aconteceu entre os dias 11 a 20 de março de 2016.

Sea Walls (Foto Raul Sampaio 03)

Conversando com a população local foi possível entender que o festival, que completou sua quinta edição – já tendo passado pela Califórnia, Florida e México – tem como temas centrais arte pública, proteção da fauna e flora aquática e sustentabilidade, e que os responsáveis por tudo é a Fundação Pangeaseed.

Artistas internacionais e neozelandeses, como Dirty Bandits e Mica Still, passam 10 dias pintando murais gigantes por toda a cidade, havendo ainda workshops, palestras e shows, tudo registrado em tempo real na redes sociais pela organização do evento, que também convidou o Instagrafite para colar por lá.

Poucos minutos depois de chegar no albergue reservado há algumas horas antes, meio que na sorte, já estava em um bike alugada rasgando suavemente as ruas de Napier, coberto pelo sol dourado, e descobrindo as pinturas gigantes espalhadas por toda a cidade, e outros picos, como o alto da montanha de Bluff Hill! Em dois dias de pedal é possível explorar boa parte da cidade e o seu entorno.

Sem grandes atrativos, a não ser pela vibe solar e pela calmaria gostosa, o Sea Walls serve para aumentar a reflexão do já tradicional ativismo ambiental local, e trazer novas cores e emoções à essa cidade paraíso meio paradona. Abaixo alguns registros das pinturas encontradas pelo caminho.