A Década dos Adesivos

Pele de Propaganda Lambes de Estandelau, Xerelll, Desali e Red Nails Crédito Warley Desali

Lambes de Estandelau, Xerelll, Desali e Red Nails | Foto Desali

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É um contraponto da beleza entender que uma das genialidades da arte urbana está na sua efemeridade, volatilidade e duração. A maior parte das intervenções que conhecemos são feitas para durarem pouco – ainda que se falando de matéria – e o que se resta são memórias e histórias. Ou registros. Que no caso foram o ponto de partida para o livro Pele de Propaganda, Lambes e Stickers em Belo Horizonte [2000-2010] que o jornalista Luiz Navarro lança hoje às 19h no Sesc Palladium, em Belo Horizonte.
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“Escrevi a pesquisa como conclusão de uma pós que fiz na Guignard. E depois editei essa pesquisa pra se transformar no livro. Na verdade, foi até bem simples. O que fiz foi adaptar o texto, para que não ficasse tão acadêmico e mais agradável de ler. Então cortei uma coisa ou outra, mudei algumas expressões e pronto”, conta Luiz. “O livro tem duas partes: uma análise dos lambes e stickers com suas referências na história da arte e alguns conceitos da arte contemporânea. E a segunda que é um glossário de termos, conceitos, técnicas, além, claro, de verbetes de cada um dos artistas, coletivos, e também locais e acontecimentos importantes daquele momento”.
Lambe Masturbe Seu Urso da Culundria Armada 2011 | Credito Joao Perdigao

Clássico Masturbe Seu Urso, da Culundria Armada | 2011 | Foto Joao Perdigao

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Luiz identifica que Belo Horizonte tem uma vocação para a técnica de lambes e stickers, percebido sobretudo durante a década pesquisada no livro. “A cena daqui é muito forte, rolam muitos artistas que colam stickers e lambes na rua. Muitos artistas inclusive que hoje também produzem em outras linguagens, como o grafite, começaram fazendo sticker, como é o caso do Desali e do Comum. Entre 2000 e 2010, essa cena teve um boom, com muitos artistas produzindo. E como lambes são efêmeros, podem ser rasgados, atropelados, se desgastam, aquela produção já se perdeu. Daí a importância de fazer um registro”

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Lambe do artista Cidadão Comum

Lambe do artista Cidadão Comum


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De 2010 pra cá houveram algumas mudanças sintomáticas na produção destas colagens. “Os lambes e stickers que vemos na rua hoje já são um pouco diferentes daqueles da época que eu registro no livro. De 2000 a 2010, mais ou menos, isso ainda era uma novidade, surgiram muitos artistas de uma só vez, e eles estavam muito atentos um no trampo do outro, então rolava um diálogo muito forte. Era comum lambes ousados, que queriam causar alguma reação pelo choque, pelo escárnio, por exemplo. Hoje já rolam muitos lambes com frases, poemas, expressões, o que é muito legal também. Às vezes a gente tem a impressão de que pode ter diminuído um pouco, mas talvez pode até ter muita gente colando, só que em menor quantidade de trabalhos por artista. Naquela época era comum muitos artistas colarem muitos lambes, em grandes quantidades, o que era muito legal”.
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Pele de Propaganda capa Credito Marcelo Lustosa
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Pele de Propaganda: Lambes e Stickers em Belo Horizonte [2000-2010]
Sesc Palladium | Av. Augusto de Lima, 420
Quinta-feira 07.04.16
19h Bate-Papo com o Luiz Navarro  e os artistas convidados Comum, Davaca, Desali e Xerelll
20h30 Lançamento do Livro
Venda R$20 (somente dinheiro)